quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cisne Negro



(Black Swan - Darren Aronofsky, EUA, 2010)


- Tive o mais louco dos sonhos na 
noite passada…

É assim que Nina, personagem de Natalie Portman nos introduz Black Swan, filme-devaneio de Darren Aronofsky, que usa de forma extraordinária a fotografia e a sonoplastia pra construir o cenário sombrio dos bastidores da vida de uma bailarina que se prepara para encenar a protagonista do Cisne Negro.

- É sobre uma garota transformada em um cisne. 
Ela precisa de amor para quebrar o feitiço, mas o 
príncipe dela se apaixona pela garota errada.
- E?
- Então ela se mata.
- Isto não é um final feliz.
- É bonito, na verdade.



Black Swan, assim como o enredo do balé que lhe empresta o nome, é composto de contrastes e dualidades. Nina tem o cisne branco perfeito, mas está distante do cisne negro, tão naturalmente interpretado por Lily, bailarina que é o retrato oposto de Nina e sua principal concorrente. Mas não há lugar para os dois cisnes, assim como não há lugar para as duas bailarinas. O medo de ser substituída vai custar a sanidade de Nina. 


Um filme sobre balé, mas não sobre sapatilhas delicadas, collants cor-de-rosa e bailarinas virginais em suaves rodopios. Um filme de toque, sangue, sexo e lágrimas. Sombrio, esquizofrênico, impactante e inebriante. Longe de ser o melhor filme de 2010, como muito se falou, mas um filme que merece - e deve - ser conferido no cinema.

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